A situação dos reservatórios da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) está à beira do caos. Torneiras vazias, caminhões pipa, banhos de caneca, estocagem de água, alta de preços e poços artesianos podem vir a fazer parte do cotidiano de uma população de aproximadamente 10 milhões de pessoas caso não chova com abundância nos próximos dias.
Na avaliação de especialistas, caso a estiagem continue, os reservatórios do Sistema Cantareira e Alto Tietê, correm o risco de secar por completo entre os meses de outubro e novembro deste ano.
O Cantareira registrou na última quinta-feira (17/07), apenas 17,8% de volume armazenado, todo ele vindo do chamado volume morto, aquele que está localizado abaixo do nível das comportas dos reservatórios. O Ato Tietê apresentou um volume armazenado de 23,7%.
Como o Governo do Estado não tomou medidas para prevenir o desabastecimento, a Região Metropolitana de São Paulo pode ficar com as torneiras secas em pouco tempo. A ideia do racionamento foi levantada há cerca de dois meses, mas o governador Geraldo Alckmin (PSDB) desistiu disso, certamente para evitar a perda de votos para sua reeleição.
Como a capital paulista está localizada em um terreno rochoso, é inviável tentar cavar poços. De acordo com informações do site Último Segundo, a Sabesp pensa em remanejar água de outras represas da Região para controlar a situação caso não chova o suficiente para recuperar os Sistemas Cantareira e Alto Tietê.
Falta de investimentos
Para Alexandre Schmerega Filho, presidente do Sindael, o Governo de São Paulo errou nos últimos anos ao não investir na ampliação do sistema de abastecimento de água potável. "Há 20 anos no poder, os governos tucanos se preocuparam em privatizar empresas e mão de obra e agora quem está pagando por esse descaso é a população”, afirma.
Schmerega alerta que a falta de água na grande São Paulo também pode provocar o desabastecimento de alimentos, caso o governo Alckmin resolva suspender a utilização de água dos mananciais por agricultores e indústrias. “Isso geraria desemprego e violência. Sem água nas cidades haverá fechamento de escolas e locais públicos, além da falta de higiene e, consequentemente, o surgimento de doenças”, avalia.
Alexandre Schmerega acredita que no atual momento o Governo de São Paulo não tem muito o que fazer, a não ser iniciar imediatamente o racionamento. “Obras para reverter esse quadro vão demorar muitos anos para serem concluídas. O jeito e fazer com que a população adote o banho de caneca e rezar para que a Primavera seja chuvosa”, finaliza o presidente do Sindael.
Fonte: site Último Segundo


