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segunda-feira, 22 de julho de 2013

Café Memória

Alguns Anônimos Entram SIM Para a História.

E não é para qualquer uma. Afinal, qual a maior estória de todas? Aquela que alguns poucos conhecem, ou aquela que bilhões não ignoram? Mas entrar como um grande desconhecido para a eternidade? Estranho! Como seria isso? Perguntar-se-ão pseudo-intelectuais sãos anciãos, de mente insana, de corpo rijo, de alma putrefata.
Mesmo assim lá vai aquele menino a caminhar pelos dias, anos, décadas. Fazendo coisas grandiosas e pequenas, passeando pelas pessoas de forma humilde, com trejeito simples, rosto castigado pelo suor do trabalho, carregando suas mágoas num cantinho de sua alma e um sorriso acanhado e profundo nos lábios. Segue carregando na bagagem o olhar das pessoas e a certeza de ter cultivado garagem em muitos corações.
E o menino continua rumo a seu destino, consciente que conquistou algo de grande brilho e importância. Não singular objeto, que esteja perpetuado na pedra inaugural de uma grande estrutura humana de concreto armado. Mas sabe que estará para sempre assentado tal qual um Oscar, no centro do coração de, pelo menos, algumas pessoas.
Não é necessário ter protagonizado uma peça teatral e ter seu nome assinalado em um cartaz no saguão de entrada do cinema. Importante mesmo, foi presenciar, foi viver, participar, chorar junto, sugerir, aplaudir, ensinar, aprender, viver.
Daqui a vinte anos, em uma roda de amigos, estaremos contando outras estórias, celebrando outros cafés e relembrando outras memórias. Em algumas dessas lembranças, bem naquelas que você se enquadra, será tu chamado para divagar em seus pensamentos. E após tua oratória, algum estudioso, tecnocrata, intelectual, ou mesmo um curioso dirá:
___ Para o conhecimento de todos. Essas são memórias criadas por um grupo cultural, denominado Pombas Urbanas. Acho que este cidadão está mentindo.
Com efeito, sim, está certíssimo. Todos os méritos aos idealizadores. Mas você esteve lá, e não estava só. Sabe o que acontece senhor Sabe-Tudo, é que alguns anônimos também entram para a história. E olha só, é porque eles estavam lá.
Mesmo que naquele livro de uma biblioteca qualquer, nos anais da Wikipédia, na Ordem dos Músicos do Brasil, na Cohab/SP ou em qualquer outro lugar, o estudioso vá ler outra coisa, SIM,  aqueles anônimos, pobres mortais farão parte daquela conto. E não serás tu a mudar isso. Nem eu a provar o contrário.