Vi uma pedra no chão
Gostei, abaixei,
recolhi
Não era de prata,
nem de ouro
Também não era rubi
Tornou-se o meu
tesouro
Mesmo não tendo
nenhuma inscrição
Não servia para moldar o couro, nem era diapasão
Possuía um brilho intenso
Luz na escuridão
A pedra estava em meu bolso
Naquela noite sem luar
Passou por mim uma sombra
Sem rosto, sem luz, e sem pestanejar
Fez-se a dor em silêncio
E em ambíguo lamento
Deu-se a sentença
Disse antes que o dia aconteça
Coloque a mão na cabeça
E pare de caminhar
E o ladrão com cara de moço
Colocando a mão neste bolso
A pedra queria galgar
Foi nesse instante profícuo
Que um fatal ataque cardíaco
O fez por fim recuar
Assim, antes que o dia aconteça
Dessa noite nunca se esqueça
E atire a pedra pra longe
Para outro que assim precisar.
Por: Waldemar
Parra/ Extraído do Livro: ¨ Algum dia será publicado ¨.