Mães de adolescentes denunciam espancamentos na Fundação Casa
A reportagem do Programa Fantástico, da Rede Globo, em agosto passado, que mostrou cenas de funcionários da Fundação Casa (ex-Febem), espancando adolescentes na unidade da Vila Maria, não é um episódio isolado na instituição. De acordo com mães de menores presentes na audiência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal, realizada na quinta-feira, dia 12 de setembro, casos de agressões e maus tratos ocorrem em outras unidades, como a do Complexo Raposo Tavares.
Durante a audiência, o vice-presidente da instituição, Antônio Claúdio Pitério, repudiou a violência dos funcionários exibida na reportagem e rebateu as críticas. “Isso é uma afronta às diretrizes da Fundação Casa. Todos esses casos devem ser bem analisados”, afirmou. “Por problemas pontuais não podemos, porém, jogar fora todos avanços que transformou o modelo da antiga Febem na Fundação Casa”, declarou.
Ele esclareceu que os cinco funcionários envolvidos foram afastados e estão sofrendo processos administrativos. “Os dois agressores obtiveram licença médica pelo INSS. Já os outros três que também foram denunciados estão trabalhando em funções administrativas”, acrescentou.
Apesar dos elogios do vice-presidente ao trabalho da Fundação Casa, entidades presentes não pouparam críticas. Para a representante da Pastoral do Menor da Arquidiocese de São Paulo, Sueli Camargo, a instituição é a última trincheira, após as políticas públicas falharem. “Mãe não geram bandidos, eles são resultados da sociedade”, comentou. “Na Fundação Casa, os menores perdem sua identidade e voltam para a sociedade mais violentos. Precisamos fortalecer as medidas sócio educativas em meio aberto”.
A representante da Pastoral mostrou uma pasta com mais de 50 denúncias de agressões protocoladas no Ministério Público. “Os funcionários envolvidos em maus tratos deveriam responder a processos civil e criminalmente, mas não é o que acontece”, disse.
“Para mudar essa situação já pensei até em protocolar as denúncias na TV Globo”.
A audiência também contou com a participação de Ariel Castro Alves, do Movimento pelos Direitos Humanos, Júlio Silva Alves, do Sindicato dos Funcionários da Fundação Casa e de Valdison Pereira, representando os Conselhos Tutelares.
A vereadora Juliana Cardoso (PT), presidente da Comissão, e demais vereadores aprovaram requerimento para convidar as Secretarias Municipais de Assistência Social e da Saúde, além de secretarias do governo do Estado para nova audiência sobre a questão.
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