sexta-feira, 24 de maio de 2013
Terceira década defendendo a Mata Sete Cruzes.
Da espingarda à chuteira, o Recreativo Amizade Beira Rio conta sua história de forma particularmente ecológica.
A trajetória e os dias atuais da nossa história podem ser comparados com a evolução da sociedade, pois a princípio eramos um pequeno grupo de amigos que passou a ser conhecido como Raízes, mas crescemos, desenvolvemos e hoje formamos o grupo Amizade Beira Rio.
Os nossos hábitos eram simples, mas transformávamos essa simplicidade em uma complexa felicidade, o asfalto era nosso campo de futebol e o clube era a barraquinha de pinga e espetinho do Fernando, a bola rolava com chuva ou sol, alguns de tênis e outros descalços, o time era: Sá, Vital, Beto, Val, Grilo, Vanderley, Baixinho, Sílvio, Luiz, Valdir , Morais e Joãozinho. Enquanto isso outros companheiros, sendo eles o Zé Ceara, Seu Pedro e o Val gostavam de caçar, chamavam o cachorro e com espingardas embrenhavam-se na mata do Cambiri à Sete Cruzes, no retorno traziam veado, tatu e jacú.
Com o tempo os caçadores trocaram as armas pelos tênis, assim iniciava a primeira de muitas caminhadas ecológicas, ainda no início da década de 90. A mata era fechada e o grupo da bola e da caça juntos abriram as primeiras veredas dos limites de Ferraz à Suzano. A natureza era predominante, admirável e até então não estava ameaçada das
intervenções do homem alienado do sistema capitalista, na qual acima de tudo visa o lucro sobre essa ingênua e frágil preciosidade, conheceram um rio e uma lagoa de águas puras no meio da floresta, chegando à estrada dos Fernandes, onde eram servidos com galinha caipira na taberna da tia (Sete Cruzes).
A caminhada ecológica era rotina, em 1993 montamos o time Raízes e 1994 contávamos com duas equipes com mais de 30 jogadores, liderados por Sá, Vital e Val, conquistando muitos troféus, assim nascia o 1° Campo Society Rústico a Beira do Rio, “a bola vivia mais na água do que no campo”; com o tempo foram realizados campeonatos de Dominó e Bilhar.
No final da década de 90 o Raízes entrou em declínio, a comunidade estava mais forte e em 2002 fundamos o Beira Rio - 81, formada por uma diretoria mais estruturada, com Lau, Sá, Décio, Mázinho, Vital, Marcelo e depois o Docinho.
Em meados dos anos 2000 a Caminhada ecológica se ampliou na quantidade de participantes e extensão, totalizando 36km. Durante essas expansões, conhecemos e passamos a frequentar a mini-cachoeira de águas geladas, onde todos se refrescam e o ponto turístico da região, a Pedra do Elefante, situada em um pico de 977,7 metros de altitude, é utilizada como escaladas para profissionais de rapel.
Neste 1° de maio de 2013, realizamos a 23° caminhada Ecológica com 24 participantes, e registramos fatos importantes, documentados pelo jornalista Sr. Milton Roberto, tais como: uma família de tucano, invasão da mata por posseiro, extração ilegal de madeira e o grande desmatamento na floresta pela construção do rodoanel.
Atualmente a Associação Recreativa Amizade Beira Rio registrada desde 2008 vivencia e está à disposição para preservar uma comunidade unida e politizada. Contando com o antigo futebol, presente com três equipes (A, B e Veterano), a escolinha de futebol e promovemos comemorações como: o dia das crianças. Nesse dia a rua recebe aproximadamente mil crianças, distribuímos brinquedos e desenvolvemos atividades infantis, finalizando o dia com um bolo. Com a ajuda e a união de todos, conseguimos emenda parlamentar para a construção de duas quadras de futebol, um vestuário e tivemos a participação ativa na implantação do parque da Consciência Negra – O Nosso Patrimônio Ecológico.
Portando, esta estória se resume aos jogos com os pés descalços no asfalto, as chuteiras nas quadras do Beira Rio, e de uma visão como espectador principal através da caminhada ecológica, de um processo natural ao desmatamento, sendo ele um dos grandes problemas da atualidade, na qual não se pode deixar passar despercebido, afinal estamos evoluindo ou regredindo?, eis a questão. Somos o futuro da nação e
com esta missão, unidos, precisamos nos mover para obtermos sim, um desenvolvimento sustentável, que beneficie a todos.Texto e fotos: Karla Vasconcelos.
